Mostrando postagens com marcador drama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador drama. Mostrar todas as postagens

12/02/2011

Labirintos

 http://cdn.sheknows.com/articles/2010/07/inception-review-3.jpg
Christopher Nolan, are you watching closely? Já vi seus protagonistas viúvos, com amnésia, cheios de manias. Seus personagens sempre foram marcantes e com fortes vínculos no passado. Duvido muito que Leonard Shelby abdicaria do trono de protagonista pelo bem da humanidade. Confesso que você me confundiu várias vezes. Fez mágica, colocou Einstein à prova e mudou o rumo do tempo, mostrou várias vezes a verdade, que seus espectadores teimam em esquecer. Admiro sua dinâmica. Tive noites insones tentando desvendar seus truques, seus cortes, sua direção.

Contudo, Nolan, seus devaneios sempre se embasaram em elementos simples. Foi você mesmo quem disse que implantar uma idéia em um subconsciente é um processo muito complexo, portanto, a idéia deve ser simples. Por exemplo: é fácil perceber a duplicidade no alterego Wayne/Batman, ou na dupla inseto/algoz de Doodlebug. Você não conseguiu se aproveitar tão bem assim da subjetividade em A Origem, tanto que nem o detetive Will Dormer saberia distinguir o que é fato e que é mera invenção do seu subconsciente.

Don Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão, especialista em invadir sonhos e extrair segredos dos indivíduos. Procurado em vários países, ele vê uma chance de voltar para casa, basta realizar uma última missão: implantar uma idéia na mente do empresário Robert Fisher (Cillian Murphy). Porém, o subconsciente de Cobb é inconstante e a memória de sua esposa, Mal (Marion Cotillard) podem comprometer as mentes de todos os envolvidos.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJcw90wPJSAs5z9JGYBRm85eCpOBTF4dYVJ-mRDk60izLToVwtJj5RYvvODsYuecpvvEk1swe-2AbnEFPB7JvDUDGSf2DKi4Cc6sOodZA9CaAikRYrqDsGHQBUBMX4Dms7GaescYjFbKpX/s1600/A_origem_6.jpgChristopher Nolan é um dos grandes diretores modernos, e seus filmes sempre apresentam inovações tecnológicas e de filmagem. Todavia, O Grande Truque e A Origem pareceram produções intermediárias frente a seus demais trabalhos, projetos-teste para a franquia do Batman. O texto de Nolan, contudo, abrange uma temática muito complexa, com tanta profundidade que parece ter ele mesmo se perdido no limbo. O roteiro apresenta uma história espetacular, que sempre busquei nos filmes, mas faltou complexidade no psicológico de cada personagem.

Os labirintos desenvolvidos pelos arquitetos, como é o caso de Ariadne (Ellen Page) são tão complexos e gigantescos que perdem, até mesmo, aquela percepção mais simples e sombria dos sonhos. A direção de arte se preocupou tanto nos elementos visuais, que ignorou a composição psicológica e a participação de elementos do subconsciente dos demais personagens. Mal é o único ser que interfere na história, será que nenhum outro personagem tem medos, preocupações e monstros em seus sonhos? Nolan perde tempo explicando e trafegando entre os diferentes níveis de sonhos e não desenvolve motivações concretas, tornando as relações emotivas fracas e forçadas pela dinâmica do filme.

O dinamismo que sempre elogiei no trabalho do diretor não poderia ser utilizado dessa maneira em A Origem, a narrativa precisava de mais tempo para ser desenvolvida. Talvez se a história começasse com o relacionamento entre Cobb e Mal, seria mais interessante, permitiria o suspense e reviravoltas na trama, além de uma atuação mais emocional. As locações deveriam ter sido melhor apresentadas, o espectador não tem que se sentir preso em um labirinto. As relações são dicotômicas, todas as necessidades e ferramentas funcionam quase perfeitamente em contraponto com a instabilidade dos sonhos. A relação e separação do subconsciente é muito clara, atém mesmo entre os viajantes menos experientes.

A trilha de Hans Zimmer é brilhante, colabora na relação tempo-espaço, o melhor elemento do filme. Os efeitos são multo bem aplicados nessa relação. Toda a parte técnica do filme é impressionante.

Nolan parece ter tentado mostrar os sonhos como eles são, mas primou pela perfeição, e se perdeu no meio de tanta complexidade.



06/02/2011

O lago dos cisnes

Cisne Negro é mais um trabalho de primor técnico do diretor americano Darren Aronofsky (π e Réquiem para um sonho). O nível arrasador de fragmentação do psicológico da personagem Nina (Natalie Portman), motivada pela insensata busca por movimentos perfeitos na remontagem de "O Lago dos Cisnes", é aumentada pelo excesso de proteção de sua mãe (Barbara Hershey), reprovação do diretor do espetáculo (Vincent Cassel) e inveja do estilo arredio de dançar de Lily (Mila Kunis).

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiN13lC5iAsx1N3gJADGrqi9-uT_Wg4Lj1NYbj92HaC5LQX5LWodm5JLLYY2gK_RcJMFUzp1BddEArozCkbxJ2pVGH7gzi5PHgD-LSBPV2Kp2qEfcZTLbuTrTUJUIbTdbXwxBODukUIYfc/s1600/Black-Swan-natalie-portman-17392128-2560-1707-1.jpg

A trama é visceral, agressiva. O recato e desempenho de dança de Nina são bombardeados por critícas e incitações ao sexo, ponto de partida para todo o suspense do filme. O roteiro transforma o espectador em ser passivo, que não espera nada da história. O resultado é a surpresa. Cada cena é, na verdade, o Lago dos Cisnes recriado por Aronofsky, um trabalho agressivo, que dependeu muito da entrega de uma artista a um personagem. O diretor criou uma metalinguagem. Portman e Nina representam a introjeção da obra no artista.

Todos os elementos de cena corroboram para a criação de um ambiente familiar, porém agressivo. Direção de arte e figurino lidaram bem com esse clima dúbio de Cisne Negro, colocando em cena sempre poucas cores e, de preferência o preto e o branco. Os efeitos especiais são inseridos pontualmente, no entanto, são primordiais. Percebe-se aqui que, às vezes, jogos de espelho são mais eficazes que inserções digitais.

A direção, fotografia e edição são destaques. As cenas filmadas com a câmera na mão ou em trilhos mostram técnicas inerentes a uma nova geração de diretores. Sem esses elementos, seria impossível criar a degeneração e o estado de pânico de Nina. Todos os planos e iluminação se entrelaçam, intercalando ações que representam características destoantes das personagens sem tornar o filme cansativo ou confuso.

Contudo, o maior mérito da película é, sem dúvida, a atuação de Natalie Portman. Quem assistir ao Cisne Negro certamente imaginará que a atriz deve ter passado pelo mesmo sofrimento e dor na construção de Nina. Aronofsky consegue extrair o melhor de Portman, seu ímpeto, sua coragem e seu amor são críveis e é impossível não perceber a identificação atriz/personagem.

O baixo orçamento do filme (US$ 13 milhões) não é, sob nenhuma circunstância, um limitador para sua qualidade. Todos os louros, prêmios e indicações são muito merecidos.

16/01/2011

Sapos e flores

Porque Magnólia é especial? Muitos filmes discutem a redenção, o consumo de drogas, as interferências de terceiros, os conflitos entre famílas e a troca de afeto por bens materiais e fama. O diferencial são os pontos de vista divergentes apresentados na trama. Eles propiciam a comparação entre atitudes que redimem ou condenam cada um dos personagens envolvidos.

Êxodo 8:2 “Ao renegar a partida, infestarei de rãs todo seu território”. 
O que acontece a um ser humano nem sempre é coincidência. As relações interpessoais, todavia, são inexplicáveis, contudo passíveis de realização. Todos que se fixarem em metáforas orientais de bem-aventurança se desviaram do objetivo de Paul Thomas Anderson ao escrever Magnólia. E os sapos? Bom, eles só caem do céu. Todo o resto é pura fantasia.

Magnólia começou a ser escrito a partir do personagem Cláudia Wilson Gator (Melora Walters) e das ramificações criadas a partir de seu conturbado relacionamento com apresentador de Jimmy Gator (Philip Baker Hall). O diretor, roteirista e editor usa a mídia como fio condutor da trama, que está repleta de elementos religiosos e curiosidades. Das referências ao livro do Êxodo até as modificações em sistemas dinâmicos, como a nossa sociedade, explicados na Teoria do Caos.

Desde o início do filme foi percebida uma relação clara entre pessoas que intereferem involuntariamente no destino de muitos outros (palavra clichê essa: 'destino'). As circunstâncias parecem tão mágicas e, na realidade são tão simples quando se vive em uma sociedade. Porque tamanho encanto com um filme sobre pessoas cuidando, traindo e agredindo seus semelhantes? A resposta está no roteiro.


Quando a narrativa é bem desenvolvida, os demais elementos do filme não se distinguem facilmente, eles simplesmente se encaixam. Em Magnólia, assim como a edição dinâmica e espetacularmente vinculada a cada palavra do roteiro, trilha sonora e fotografia não podem ser separadas e vistas como elementos singulares. Há sinergia entre aspectos técnicos e artísticos.

As ligações entre os personagens são complexas e repletas de capilaridades. A estruturação psicológica de cada indivíduo é consistente e os atores corroboram para o tom clássico atribuído ao filme. Há conexões financeiras e familiares, contadas paulatinamente. Thomas Anderson assume a direção adotando características do trabalho de Alfred Hitchcock com muitos planos-sequência e mudanças de planos sem a utilização do corte na tomada.

Como não poderia faltar a dose de pieguice, Magnólia sofre pelo excesso de almas dispostas a pagarem pelos seus pecados. Não obstante, esse ponto negativo é insuficiente para tirar créditos desse trabalho fora do comum feito por Paul Thomas Anderson.

08/01/2011

Fantasia e guerra

http://www.panslabyrinth.com/downloads/wallpaper/desktop3_0800.jpg


É possivel fazer um filme de guerra sem apresentar batalhas gigantescas, soldados mortos, pernas decepadas, navios e aviões gigantescos; como Steven Spielberg fez em O Resgate do Soldado Ryan? É possível apresentar apenas o contexto cultural, uma história de amor ou de fantasia durante a guerra? É viável mostrar os efeitos da guerra em pessoas comuns e como a as batalhas não são lutadas apenas por exércitos?

Michael Curtiz provou, lá em 1942, que é possível sim transformar a guerra em pano de fundo para histórias de amor. No máximo, Casablanca apresentou questões políticas da Segunda Guerra Mundial. Ou apenas porque o  filme foi feito durante o litígio, tem que apresentar a superação de um exército, de lutas por causas perdidas?

Gullermo del Toro colocou a fantasia, de uma maneira um tanto quanto sombria, e adulta. Uma história que apresenta fadas, fanos, monstros e magia de uma forma nada piegas, muito bem incorporada ao mundo real. Essa fusão é bem feita graças ao impressionante trabalho de maquiagem e efeitos especiais de O Labirinto do Fauno. A música completa a união entre o real e o imaginário, numa ambiguidade entre a tranquilidade das cantigas de ninar e a obscuridade e agressividade do mundo real.


Se as técnicas de direção não surpreendem, o encantamento é inevitável,e  a tradução do roteiro é simples e bem feita. A película foge à mesmice. Contando a história da menina Ofelia, enteada de um general Franquista, este último, que com o auxílio de Hitler e Mussolini, instaurou o fascismo na Espanha.

Interessante notar como até mesmo os não envolvidos diretamente são afetados, e como a guerra não é feita apenas de batalhas e judeus se escondendo. Quem sou eu para criticar, mas é importante que surjam novos diretores, no caso, do México, para descentralizar um pouco a concepção hollywoodiana de fazer cinema. E provar que não é por falta de qualidade técnica que o cinema daqui não chega aos grandes centros mundiais.