Porque Magnólia é especial? Muitos filmes discutem a redenção, o consumo de drogas, as interferências de terceiros, os conflitos entre famílas e a troca de afeto por bens materiais e fama. O diferencial são os pontos de vista divergentes apresentados na trama. Eles propiciam a comparação entre atitudes que redimem ou condenam cada um dos personagens envolvidos.
Êxodo 8:2 “Ao renegar a partida, infestarei de rãs todo seu território”.
O que acontece a um ser humano nem sempre é coincidência. As relações interpessoais, todavia, são inexplicáveis, contudo passíveis de realização. Todos que se fixarem em metáforas orientais de bem-aventurança se desviaram do objetivo de Paul Thomas Anderson ao escrever Magnólia. E os sapos? Bom, eles só caem do céu. Todo o resto é pura fantasia.
Magnólia começou a ser escrito a partir do personagem Cláudia Wilson Gator (Melora Walters) e das ramificações criadas a partir de seu conturbado relacionamento com apresentador de Jimmy Gator (Philip Baker Hall). O diretor, roteirista e editor usa a mídia como fio condutor da trama, que está repleta de elementos religiosos e curiosidades. Das referências ao livro do Êxodo até as modificações em sistemas dinâmicos, como a nossa sociedade, explicados na Teoria do Caos.
Desde o início do filme foi percebida uma relação clara entre pessoas que intereferem involuntariamente no destino de muitos outros (palavra clichê essa: 'destino'). As circunstâncias parecem tão mágicas e, na realidade são tão simples quando se vive em uma sociedade. Porque tamanho encanto com um filme sobre pessoas cuidando, traindo e agredindo seus semelhantes? A resposta está no roteiro.
Quando a narrativa é bem desenvolvida, os demais elementos do filme não se distinguem facilmente, eles simplesmente se encaixam. Em Magnólia, assim como a edição dinâmica e espetacularmente vinculada a cada palavra do roteiro, trilha sonora e fotografia não podem ser separadas e vistas como elementos singulares. Há sinergia entre aspectos técnicos e artísticos.
As ligações entre os personagens são complexas e repletas de capilaridades. A estruturação psicológica de cada indivíduo é consistente e os atores corroboram para o tom clássico atribuído ao filme. Há conexões financeiras e familiares, contadas paulatinamente. Thomas Anderson assume a direção adotando características do trabalho de Alfred Hitchcock com muitos planos-sequência e mudanças de planos sem a utilização do corte na tomada.
Como não poderia faltar a dose de pieguice, Magnólia sofre pelo excesso de almas dispostas a pagarem pelos seus pecados. Não obstante, esse ponto negativo é insuficiente para tirar créditos desse trabalho fora do comum feito por Paul Thomas Anderson.
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